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ÉDER LUIZ |
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Entrevista realizada por Emilcio Rogério Zuliani, dia
19/05/2009, na sede da empresa
Mídia-Mix em São Paulo, onde são produzidos os programas
esportivos da Rede Transamérica.
FOTOS: Álvaro Aiose Junior.
Éder Luiz de Faria Morbi nasceu na cidade de Santa
Cruz do Rio Pardo, interior do Estado de São Paulo, no dia 31 de
julho de 1963.
Dono de uma voz inconfundível, além de ter uma locução dinâmica
e precisa, esse talento do Rádio – e mais recentemente da
televisão – é um empreendedor por natureza.
Após consagrada passagem pelo Grupo Bandeirantes nas décadas de
1980 e 1990, resolveu montar sua própria equipe esportiva afim
de oferecer o produto "Futebol” a emissoras que desejassem
transmitir jogos, mas não tinham equipe própria.
A primeira Rádio onde Éder Luiz estreou a sua equipe própria foi
a Rádio Capital de São Paulo (AM 1.040 kHz), em 1994. Depois de
uma passagem pela Band FM (96,1 MHz), Éder Luiz está há 9 anos
com sua equipe esportiva na Rádio Transamérica (100,1 MHz).
Éder Luiz é proprietário da agência Mídia-Mix, que tem sua sede num anexo
ao lado da própria Rede Transamérica (no
Alto da Lapa - zona oeste da capital),
onde também estão localizados os estúdios de gravação e os
estúdios que transmitem a programação esportiva, além abrigar os
escritórios e toda a produção.
Hoje, a Mídia-Mix possui 39 profissionais em sua equipe (entre
locutores, repórteres, comentaristas, técnicos, produtores,
departamento comercial...),
além de possuir equipamentos de transmissão digital de
última geração, que possibilitam cobrir em um único dia, até
sete eventos diferentes ao vivo.
Em relação a procura de espaços para propaganda, nossa equipe de
reportagem flagrou uma situação de negativa para determinados
anunciantes que haviam solicitado a inclusão de suas mensagens
durante o programa “Papo de Craque II”, por não haver mais
espaço para inserções comerciais. Isso prova que a credibilidade
do Esporte da Transamérica com a Equipe de Éder Luiz, vem dando
um excelente resultado comercial aos anunciantes.
Confira abaixo a entrevista com o “10 do futebol”:
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01)
Éder, qual é o seu time do coração? |
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Marília Atlético Clube
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02)
Como foi o início de sua carreira no Rádio? |
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Comecei no Rádio em 1976 para 1977.
Eu tenho um grande “padrinho”
que foi o Fiori Gigliotti. Meu pai era fã do Fiori e num
determinado momento o Fiori foi para o interior com o "Scretch
do Rádio" - era o time de futebol que ele tinha na Rádio
Bandeirantes que percorria várias cidades do interior - e meu
pai me levou. Eu imitava, ou tentava imitá-lo num joguinho de
botão o Fiori Gigliotti narrando. E meu pai me levou para ver
esse jogo do "Scretch do Rádio", e partir daí o Fiori me
apresentou para o dono da Rádio Difusora de Santa Cruz do Rio
Pardo onde eu comecei minha carreira por um pedido do próprio
Fiori. Eu comecei como Operador Técnico.
Um dia faltou o locutor da equipe esportiva, o locutor ficou
doente e eles não tinham quem colocar. Apesar da minha timidez, eu pedi uma
oportunidade e fui narrar aquele jogo. Daí para frente eu fiquei
como titular na Rádio, e aí começou minha carreira.
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03)
E aí você foi para Marília? |
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Aí eu fui para Marília, na Rádio “Verinha” - Rádio Vera Cruz,
onde também começou o Osmar Santos. Depois tive uma passagem
pela Rádio Clube, e logo depois para Rádio Itaipu FM.
É até engraçado isso!!! Naquela época, a Rádio Itaipu FM já foi um
projeto no interior do que eu viria fazer em São Paulo depois.
Eu acreditei sempre na condição do FM, pela qualidade de áudio,
enfim... E naquela oportunidade eu já fazia em Marília um trabalho
parecido com o que faço hoje em São Paulo. Fiquei com essa
perspectiva de um dia fazer esse trabalho em São Paulo, o que
acabou acontecendo. Para ser mais preciso, isso aconteceu por volta de 1982,
porque depois eu vim em 1983 para São Paulo,
direto para a Rádio Bandeirantes AM.
Quem me trouxe para a Bandeirantes foi o Fiori Gigliotti, porque
depois daquele período que ele me colocou no Rádio eu o
reencontrei lá em Marília, e na época o narrador Jota Junior
estava saindo da Rádio Bandeirantes para assumir uma vaga de
narrador na TV Bandeirantes. E aí o Fiori me falou:
- “Aquela oportunidade que eu te prometi, pode ser que
aconteça agora”.
Eu me emociono muito quando eu me lembro dessa história, porque
o Fiori foi uma presença muito marcante na minha carreira e na
minha vida. E aí o Fiori me trouxe para a Rádio Bandeirantes,
onde eu fiquei por 15, 16 anos.
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04)
Quais eram os integrantes da Equipe Esportiva da Rádio
Bandeirantes naquela época? |
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Olha!!! Na época a Equipe da Rádio Bandeirantes era o famoso
"Scretch do Rádio", com o Ennio Rodrigues, o Oscar Ulisses – que
era o mais jovem da Equipe da Bandeirantes – e eu era um meninão
do interior que estava chegando.
Então eram: Ennio Rodrigues, o Oscar Ulisses, o Fiori Gigliotti
e eu, que era o quarto locutor da Emissora. Depois fui galgando
as posições dentro da Emissora.
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05)
Você citou várias vezes o Fiori. Ele foi seu grande exemplo
enquanto narrador, ou você teve outros profissionais em quem se
baseou para criar seu estilo? |
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Três locutores me influenciaram. O Fiori, o Osmar Santos e o Joseval Peixoto (antigo
narrador e atual comentarista político da Rádio Jovem Pan).
O Joseval foi um locutor que eu ouvi muito. Eu acompanhei
bastante o trabalho do Joseval. Eu gostava muito da voz dele
narrando futebol. Então são três locutores que me influenciaram
bastante, e por um período também o Haroldo Fernandes
(ex-locutor carioca).
Na verdade eu ouvi muitos locutores. O Doalcei Camargo (no Rio),
o Jorge Cury e o Waldir Amaral (da Rádio Globo-RJ). Eu ouvia
muito a Rádio Globo e o Waldir Amaral narrava um tempo do jogo e
o Jorge Cury o outro tempo.
Então eu fui me influenciando muito
por esses locutores. Esses foram os principais naquele momento
que eu ouvi efetivamente.
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06)
Então você foi para a Bandeirantes em 1983 como quarto narrador
e fazia partidas de menor expressão. E nesse contexto, como
surgiu a chance de narrar Fórmula 1? |
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A Fórmula 1 surgiu num momento em que a Rádio Bandeirantes resolveu
retomar as transmissões de automobilismo. Havia contratado na
época o Edgard de Melo Filho (ex-piloto de Stock Car e
ex-administrador do Autódromo de Interlagos, além de narrador e
comentarista), e que foi meu parceiro por uns dez anos.
VIajamos o mundo por esse tempo. E naquela época o Oscar
Ulisses – que também narrava automobilismo - estava com as
atenções voltadas para o futebol. Na época o Oscar praticamente
dividia os “segundos jogos” com o Ennio Rodrigues.
E na época eu tive a aposta do saudoso Darcy Reis (diretor geral
de esportes da Rádio Bandeirantes). O Darcy me perguntou se eu
gostaria de ter uma oportunidade como locutor da Fórmula 1, e a
Fórmula 1 foi um “negócio” extraordinário na minha vida, porque
em primeiro lugar peguei uma época maravilhosa do automobilismo.
Peguei o momento em que o Nelson (Piquet) foi campeão, em
seguida o Ayrton (Senna) foi campeão. Depois o Ayrton novamente
campeão em 1990 e 1991. Eu narrei os três títulos do Ayrton (88,
90 e 91). Narrei o título do Nelson e toda temporada em 1987, e
então aquilo foi marcante, porque me deu experiência dentro do
seguimento e uma experiência de vida. Eu não conhecia nada além
do Brasil e de repente, depois de dez anos eu já conhecia o
mundo todo. Vivi durante quase dez anos uma experiência muito
bacana e bastante importante na minha carreira.
A Fórmula 1 acabou abrindo espaço também para que pudesse
fazer grandes eventos internacionais. A repercussão da
Fórmula 1 foi muito grande na época. Eu e o Edgard fizemos muito
sucesso transmitindo as corridas, e partir daí a Rádio
Bandeirantes começou a transmitir o Campeonato Italiano (de
Futebol), porque nessa época o Maradona e o Careca faziam dupla
de ataque no Napoli, e eu fui incumbido de transmitir um jogo,
que lembro nessa oportunidade em que fui para narrar um corrida
em Spa-Francorchamps na Bélgica em que eu iria ficar quatro dias
fora, e acabei morando na Europa por três meses e meio.
Daí para frente começamos a transmitir todo o Campeonato
Italiano, e isso me deu uma visibilidade, uma experiência
grande, porque foi caindo nos gosto das pessoas a minha maneira
de narrar, e eu fui tendo a perspectiva de crescer dentro da
Emissora.
Cheguei a segundo locutor da Emissora, e posteriormente em 1994,
eu tive a oportunidade de narrar a Copa do Mundo dos EUA, já
como titular de Esportes da Rádio Bandeirantes.
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07)
Em resumo, você ficou em que período narrando a Fórmula 1? |
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Eu fiquei entre 1986 e a primeira parte da temporada de 1993, ou
seja, sete temporadas e meia.
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08)
Mas não foi em 1990, durante a Copa do Mundo na Itália, em que
começou a sobressair o seu trabalho na Bandeirantes? Ou você não
concorda? |
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É!!! Na Copa de 1990 eu tive a oportunidade de fazer várias
aberturas para as transmissões do Fiori Gigliotti, e eu fui como
segundo locutor da Rádio Bandeirantes para essa Copa do Mundo. Eu tive sim a oportunidade de fazer bons jogos.
O Dirceu Marcheolli “Maravilha” era o outro locutor da Equipe. E
em 1990 realmente eu tive uma visibilidade bem legal, pela
oportunidade que o Fiori me deu e que procuramos aproveitar.
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09)
Para encerrarmos o assunto Fórmula 1, a experiência do Edgard de
Melo Filho como ex-piloto é inquestionável. E trabalhar nessa
mesma Equipe com o saudoso repórter Cândido Garcia, que vinha já
da Rádio Jovem Pan, como foi em termos de experiência?
***Lembrando que posteriormente Cândido Garcia integrou a equipe
de Éder Luiz na Band FM (96,1 MHz) |
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Ah!!! Foi muito prazeroso porque eu trabalhei com o Edgard, que
na minha opinião é o “Pelé do comentário sobre automobilismo”. É
um profissional de uma qualidade inquestionável, sabe tudo. Me
lembro de transmissões que nós fizemos, que o Edgard mostrou
muito o talento dele, até na capacidade de antevisão de alguns
fatos. Então o Edgard é realmente incomparável.
E o Candido agregava muito mais no aspecto de informação, além
de também ter muito conhecimento. Mas o Candido era uma pessoa
extremamente bem informada, e os dois foram parceiros
memoráveis, e bem importantes na minha carreira.
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10)
Gostaria que você falasse algo sobre o acidente do Ayrton Senna,
levando em conta que você estava narrando a prova de Ímola? |
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Foi um negócio terrível. Me lembro que eu estava fortemente
gripado naquele dia e, depois do que aconteceu, foi um
verdadeiro nocaute. Porque o que estava acontecendo era uma
coisa absolutamente surreal. Nós jamais imaginaríamos que
pudesse acontecer aquilo com um ídolo daquele quilate, daquela
importância que ele tinha para o Brasil naquele momento.
Aquilo ali nos magoou demais. Foi uma das coisas mais tristes
que já vi. Eu costumo dizer o seguinte: “todo mundo se lembra
do que estava fazendo naquele domingo de maio. Todo mundo sabe
exatamente onde estava naquele domingo de maio”, porque foi uma
coisa marcante na vida de todo mundo, e é o tipo da coisa que
você não acredita que possa acontecer. Dava a impressão que o
Senna não era um ser humano “normal” como qualquer outro. Foi um negócio muito triste.
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11)
Na transmissão do GP, você e o Edgard fizeram um comentário
sobre aquele último movimento que ele fez no carro... |
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É!!! Eu ainda até lembro que na transmissão eu chego a dizer:
- “Moveu a cabeça”.
Mas aquilo era um espasmo. Foi um negócio terrível. Um dos
piores dias da vida como jornalista esportivo foi esse com
certeza. Sem dúvida.
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12)
Continuando sua trajetória, você ficou na Bandeirantes AM até
1994, e aí o que aconteceu? |
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Em 1994 eu saí, fui para a Rádio Capital AM (São Paulo). É
onde começa essa trajetória de ter uma empresa gerando conteúdo
esportivo. Eu voltei da Copa de 1994, e passeia a ter convicção
que por mais que eu perpetuasse minha carreira dentro da Rádio
Bandeirantes, eu sempre seria só um “locutor esportivo”.
Eu
sempre tive uma atividade comercial muito intensa. Então,
naquele momento eu queria abrir novos horizontes, e pensei: -
“Puxa, agora eu vou montar minha equipe”. Aí eu fui para a Rádio
Capital, montei uma estrutura lá, e foi grande sucesso por dois
anos, que foi o tempo que eu fiquei lá. E aí surgiu a
possibilidade de migrar para o FM, que já era um sonho antigo
que eu tinha, aqui em São Paulo. Aí eu fui para a Rádio Band FM
(96,1 MHz - São Paulo), e voltei para o Grupo Bandeirantes, onde
comecei as transmissões efetivas mesmo no FM.
Até aquele momento no FM, somente a Rádio Transamérica (minha
atual emissora), havia transmitido uma Copa do Mundo (em 1994),
mas não fazendo uma cobertura esportiva. Era mais uma
transmissão voltada para o humor, bem humorada e tal, mas
voltada para um evento específico.
E naquele momento eu queria
uma Equipe, um modelo realmente de transmissão em FM. Poderia
ter humor, mas também teria que ter conteúdo jornalístico. Aí
procuramos fazer uma mescla e isso deu muito certo na Band FM.
Ficamos lá por um período, até que apareceu à oportunidade em
2000 de migrar para a Transamérica. Lá se vão nove anos, que
estamos com a equipe esportiva aqui na Transamérica.
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13)
Antes de migrar realmente para o FM, ainda com a Equipe na Rádio
Capital AM, houve um breve período em que a Transamérica
retransmitia os jogos da Capital no FM, não foi? |
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Foi!!! É!!! Nós tivemos uma experiência com a
Transamérica no final, e uma coisa que eu acredito poderia até
vir a ser um caminho futuro também, porque essa junção de AM com
FM, no nosso modelo de trabalho geraria ótimos resultados. E
existe interesse por isso, e então quem sabe no futuro isso não
possa acontecer.
Mas na época, naquele momento, a Rádio Capital estava numa fase
de transição, numa fase de mudanças. E essas mudanças fizeram
com que o “negócio” não tivesse uma seqüência. Se houvesse uma
continuidade do trabalho, tenho certeza que essa junção teria
conseguido ótimos resultados.
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14)
Voltando ao seu início de trabalho no FM, especificamente na
Band FM. Esse modelo de trabalho empregado foi tirado de algum
outro lugar? E a própria Emissora, estilo, teve alguma
influência nesse início? |
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Eu ouvia o trabalho que a Transamérica fazia em alguns eventos,
mas eu sempre acreditei no seguinte. Eu acho que quem ouve um
programa esportivo no Rádio - e quer fidelizar aquele programa -
ele pode ser descontraído, ele pode ter humor, ele pode dar
risadas, curtir, mas o ouvinte quer a informação do clube dele,
e quer opinião “de peso”. Então acho que nós partimos para um
modelo de “negócio”, que é o debate esportivo. Até aí nenhuma
novidade, porque já existe no Rádio há anos e anos, mas acontece
que consegui montar um time com uma “química” legal para “fazer
o negócio”. Eu acho que talvez esse seja o mérito que eu tenho,
porque eu consegui detectar um grupo de profissionais que
conseguiu estabelecer uma química legal no ar.
Então você tem as brincadeiras, a descontração, porque eu acho
que a maneira como o assunto futebol é discutido muitas vezes no
Rádio ou mesmo na televisão, é muito sério. O futebol é
entretenimento. Não se pode discutir futebol, falar de futebol,
como se discute política, economia. E o futebol por ser
entretenimento também. Ele é um fato no plano jornalístico, é um
fato importante, mas ele tem um outro lado que aparece aquela
coisa do torcedor. É um entretenimento.
Eu acho que o ouvinte, estando num final de tarde no carro, indo
para casa, depois de um dia estressante de trabalho, ele quer
ter a informação do clube, mas ele também quer se descontrair um
pouco também, né? E acho que em cima desse modelo é que
conseguimos estabelecer essa mescla. Que você tem bom humor, mas
paralelamente você tem informação séria e gente para opinar com
qualidade. É o tipo do cara como o Neto (comentarista,
ex-jogador de futebol). O Neto brinca muito no ar, o (Oscar
Roberto) Godoy brinca muito no ar, mas são comentaristas que o
público pára pra ouvir, e querem a opinião deles. Eles podem
brincar e tal, mas na hora de falar sério eles sabem falar.
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15)
Mas naquele momento, iniciando um trabalho no FM, você sabia que
você estava trazendo um público que era o público jovem, e na
época não ouvia o AM? Você tinha a noção que estava fazendo
aquele público exclusivamente de FM, consumir o produto
“futebol’?”. |
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Tinha com certeza. Com absoluta certeza. Eu sempre apostei
nisso, e um detalhe interessante, eu me lembro que essa idéia se
consolidou para mim, quando eu peguei um táxi, no Aeroporto de
Guarulhos. Quando eu estava voltando para São Paulo, depois de
um jogo internacional onde eu tinha ido transmitir um jogo na
Argentina, conversando com um taxista na época – é que sempre
que entrava num táxi, eu pesquisava que Emissora o taxista
ouvia, para saber a preferência das pessoas sobre Rádio -, e na
época ele falou: - “Olha, eu tô ouvindo a CBN”.
A CBN na época estava fazendo uma campanha maciça, divulgando
que era a “Rádio que toca notícia”. E o taxista comentou: - “Eu
ouvia a Jovem Pan, e agora mudei e ouço a CBN”. E então eu até
brinquei com ele: “você migrou dos 620 kHz para os 780 kHz”,
porque eu imaginei que ele estivesse se referindo simplesmente
ao AM. Foi quando ele me respondeu o óbvio. Às vezes as coisas
são tão obvias. E foi o que aconteceu nesse caso. O taxista na
verdade respondeu: - “Não, não. Estou sintonizando em 90,5 MHz”.
E perguntei o “por quê?” E ele: - “Porque quando entro com o
carro no subsolo de um edifício, o AM não entra...”
Então, existe toda uma condição técnica, uma evolução técnica
que o FM conseguiu, além da qualidade de som. O AM tem pontos
importantes, como, por exemplo, emissoras em São Paulo, como o
caso da Rádio Record, que abrange o Brasil todo. Tem vários
pontos positivos o AM, mas dentro da cidade de São Paulo, a
qualidade do FM me chamou muito a atenção. E a partir daí eu
gostei do FM, e as coisas aconteceram.
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16)
E a sua mudança da Band FM para a Rádio Transamérica, foi uma
mudança de ordem estritamente comercial? Não estava havendo
dentro do Grupo Bandeirantes nenhum tipo de conflito entre duas
equipes esportivas tão distintas (do AM contra o FM)? |
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Não, não. Absolutamente. Aliás, meu relacionamento com o Grupo
Bandeirantes sempre foi muito bom. Tanto é que eu voltei há
pouco tempo atrás para a TV Bandeirantes. Tive uma passagem lá
muito legal, e eu tenho uma coisa que eu me orgulho muito, em
todas as casas as quais eu passei, eu sempre deixei as portas
muito abertas.
No Grupo Bandeirantes eu estive três vezes. Duas vezes no Rádio,
e uma vez na televisão. Na Rádio Capital eu tenho certeza que
deixei portas abertas. Pelas Emissoras por onde eu passei, até
hoje, e na própria Rádio Bandeirantes (AM), sempre deixei as
portas abertas e tenho orgulho disso.
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17)
A escolha dos componentes da Equipe Esportiva do Éder Luiz é
feita “a dedo?”. |
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Não tem uma receita. Não tem nada de especial. É circunstancial.
E foi dando certo. As coisas sempre foram se encaixando.
É obvio, que eu sempre tive o meu critério. “Essa peça vai
funcionar com essa outra peça”, e então aí “a coisa anda”.
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18)
Quando você formou a Equipe da Band FM você trouxe para ativa
profissionais que não encontravam espaço para trabalhar. Pelo
visto a idéia foi unir os veteranos com jovens talentos. Isso
funcionou muito bem. Como por exemplo, o Roberto Carmona,
o Henrique Guilherme, que naquele momento estavam saindo da
Rádio Globo, e que te acompanham até hoje. |
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Eu acho que isso é que é legal porque hoje eu tenho orgulho de
dizer, que eu tenho 39 profissionais trabalhando nesse projeto
(entre Transamérica e Mídia Mix).
As vezes até me perguntam: - “Poxa, mais uma Emissora que vai
transmitir futebol?”. Eu acho isso sensacional!!! Eu gostaria
que todas as Emissoras transmitissem futebol porque espaço
publicitário e marketing suficiente para essas emissoras
existem. Se eu tenho uma determinada marca de cerveja, eu não
posso anunciar duas cervejas. Então eu acho que existe
possibilidades no mercado. Existe uma coisa bem possível para
ser realizada, e o tal negócio “transpiração acima de tudo e
também inspiração”. Mas principalmente, a primeira coisa é a
transpiração, que é o “correr atrás”, trabalhar.
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19)
O jornalista Milton Neves concedeu uma entrevista ao site
Bastidores do Rádio, e quando perguntamos a opinião dele sobre o
Rádio FM, ele respondeu que queria mandar um abraço para o Éder
Luiz que emprega tanta gente, mas que a quantidade de comerciais
durante as transmissões da Transamérica era um exagero até para
ele, Milton Neves. Você realmente acha que a quantidade de
anúncios está exagerada, ou isso é um sinal de sucesso do seu
trabalho e da sua audiência? |
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A procura por espaços é muito grande. E sobre o Milton, eu só
tenho um comentário. É um cara que eu admiro demais, é um cara
que eu considero amigo meu, mas ele é um “Brincalhão, né?”
(risos, e imitando a maneira do Neto de falar) “Aí ele é um
Brincalhão”, por favor. O Milton Neves? Ai ele está mesmo
brincando. Mas ele é um grande profissional, e eu tenho certeza
que ele não falou no sentido de questionar o que está sendo
feito.
O Milton sabe melhor do que ninguém a importância (da
propaganda). Eu só consigo ter 39 profissionais empregados hoje
aqui, porque a geração do conteúdo esportivo da Transamérica
gera hoje um resultado que muitas Emissoras durante as 24 horas
aqui em São Paulo, não conseguem ter. Então o IBOPE está aí
mostrando que o público se acostumou com as grandes marcas que
nós anunciamos.
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20)
Os horários de conteúdo esportivo estão definidos de que forma
dentro da grade de programação da Transamérica? |
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Hoje nós temos a geração de uma hora. Das 12h às 13h - Programa
Papo de Craque I.
E temos mais três horas no período da tarde. Papo de Craque
II, que vai das 18h as 19h30; e depois das 19h30 as 21h o
programa Galera Gol.
Depois nós temos o “Esquenta” no domingo, que foi uma
oportunidade que eu dei ao Neto, e a coisa tem funcionado muito
bem. E por fim as transmissões. Basicamente é isso. Ainda tem o
programa do Márcio Bernardes, o Debate Bola, que também é
sucesso.
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21)
A Rádio Transamérica pertence a algum grupo bancário que atua no
País? |
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A Rádio Transamérica pertence a um grande empresário do País,
que foi ex-proprietário do Banco Real (antes da venda para o
Amro Bank).
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22)
Há algumas semana, surgiu uma notícia de que você teria recebido
uma proposta para trabalhar na Rádio Globo. Tem algum fundo de
verdade nessa notícia? |
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Olha!!! Comentários a gente sempre ouve no mercado. A gente só
pode dizer que são oficiais quando efetivamente tem o contato
(pausa). Mas comentários eu também ouço. Existem abordagens, né?
E são comentários. Isso aí nós não estamos livres de ouvir. Nada
além de comentários...
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23)
Para terminar esta entrevista, gostaria de deixar uma mensagem
para os leitores do Bastidores do Rádio? |
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Antes de mais nada, eu gostaria de dizer que acompanho o site
Bastidores do Rádio, de verdade. Sempre que tenho oportunidade,
e vou navegar na internet, quero saber as informações do Rádio.
É o meio que nós vivemos, é o veículo que eu mais gosto, até
porque tive a oportunidade mais recentemente de fazer trabalhos
na televisão também, mas o Rádio sempre vai estar “nas veias”.
Gosto muito do veículo Rádio, e acho que hoje é
inquestionavelmente o site mais completo para se saber sobre
Rádio. Então, vocês estão de parabéns pelo trabalho,
principalmente por um aspecto. Tem uma coisa que me chama muito
a atenção. O profissional do Rádio, ou os profissionais que
fizeram muito sucesso no passado, às vezes são esquecidos. E o
Bastidores do Rádio sempre teve esse aspecto altamente positivo,
que é lembrar os nomes importantes que já passaram pelo Rádio, e
que ajudaram a construir o sucesso desse veículo, e que de
repente ficam no ostracismo. Então esse trabalho que vocês fazem
de resgatar as pessoas e divulgar essas pessoas, acho
sensacional, e tem que ser feito mesmo.
Vocês estão de parabéns. Eu agradeço por terem lembrado o meu
nome, e um abraço aos leitores.
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