DOMENICO GATTO


Entrevista realizada por Emilcio Rogério Zuliani, dia 18/09/2010, na sede da Rádio Energia 97, em São Paulo.

FOTOS: Álvaro Aiose Junior.



Domenico Gatto: pseudônimo utilizado por Domingos Rizzo, radialista paulistano, que atualmente trabalha na Rádio Energia 97 (97,7 MHz - São Paulo/SP).

Além de possuir um programa de música e humor nas manhãs da emissora e de também ser a voz "padrão" da Rádio, Domenico encarna com muito sucesso e competência o torcedor palmeirense do programa Estádio 97 (programa de debates dedicado ao futebol, onde a mesa é composta por torcedores das principais equipes do futebol paulista: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Portuguesa).

Atuando no Rádio paulista de 1986, Domenico já teve passagens por diversas emissoras de FM, além de ter atuado como locutor esportivo na Rádio Gazeta AM, na Equipe de Ennio Rodrigues.

Sua paixão por música e esportes é descrita na íntegra, nesta entrevista descontraída e agradável, com um dos nomes mais conceituados profissionais do Rádio paulista e brasileiro. Confira:

 

01) Nome completo, local e data de nascimento:

Domingos Rizzo, e ai vem sempre a pergunta: “Domenico por que?” É porque meu avô era Domenico Rizzo, e ai pequeno, com 13 anos de idade ele veio para o Brasil. E chegando no Brasil, no setor de imigração informaram que não poderia ser registrado com o nome italiano, teria que ser um nome “brasileiro”.

É a mesma coisa que o Peter nos Estados Unidos e Pedro no Brasil. Ou John lá e João aqui. E na Itália o Domenico de lá é o correspondente ao Domingos aqui no Brasil. Então fizeram uma nova certidão para o meu avô aqui no Brasil, transferindo o nome dele para Domingos Rizzo. E quando eu nasci, o meu pai quis fazer uma homenagem ao meu avô, e tentou colocar o Domenico original. E então o escrivão não permitiu, porque ainda tinha aquela lei na política do Brasil de que, (em 1966) isso de nomes “gringos” era uma coisa complicada e então não permitiram, argumentando “tem que ser o nome brasileiro, não pode ser nome gringo”, e não sei mais o que...E ai meu nome acabou se tornando Domingos mesmo, e por isso que não tem “Neto” no complemento do nome, porque o nome verdadeiro do meu avô é mesmo Domenico Rizzo, e o meu é Domingos Rizzo, sem completar com o “Neto”.

Eu nasci em 24 de junho de 1966, em São Paulo, Capital.


02) Conte aos nosso leitores como foi o início de sua carreira no Rádio.

Desde moleque com 8 ou 10 anos de idade, eu costumava jogar futebol de botão, e eu era um cara que jogava até bem o futebol de botão. E durante as partidas, eu brincava narrando os joguinhos que fazia. E por certas vezes, eu irritava os adversários, porque eu dava muito mais ênfase nos gols que o meu time fazia – e quase sempre era o Palmeiras – e os adversários eram geralmente Corinthians ou São Paulo, e eu deixava os adversários nervosos.

Acontece que eu tinha uma vontade grande de ser locutor esportivo, porque eu ouvia muito o José Silvério, o Fiori Gigliotti – saudoso Fiori - e também o Osmar Santos. Osmar foi um grande ídolo da locução esportiva, e também foi muito meu amigo depois, que eu vim conhecer, e até no meu site (www.domenicogatto.com.br) tem um bate-papo com Osmar Santos, bem legal mesmo. E cito que o Fiori ficou nosso amigo um tempo depois, e é muito legal isso ai.

Você vê como o mundo dá voltas: os anos passam e você acaba conhecendo uma pessoa da qual você considerava como ídolo. É muito legal mesmo isso. E depois passou um pouco essa fase, e quando eu tinha 12 ou 13 anos, e comecei a ouvir basicamente Rádio em FM, porque o FM estava entrando muito forte em São Paulo nessa época. Estava mesmo começando aparecer o FM. Isso foi em 1975 ou 76, das primeiras Rádios. A primeira mesmo foi em 1971, com a Imprensa FM (102,1 MHz), mas poucas pessoas ouviam, poucos tinham receptor de FM. Nos Rádios dos carros, só tinha o AM. Ainda, poucas pessoas tinham aparelhos de Rádio nos carros. E mesmo nas residências, os Rádios só sintonizavam o AM. O FM ainda era uma coisa restrita.

Mas ai em 1980 e 1981, eu ouvia bastante o FM, e todos os dias eu ouvia Rádio. Tinha um programa do qual me lembro muito bem, que era “As 10 mais do eixo Rio-São Paulo”, transmitido pela Rádio Antena 1 (94,7 MHz), e o locutor desse programa era o Tony (Astassiê), que faz hoje os programas do “1406/ Polishop”, que vende aqueles aparelhos de suco, aquelas coisas... ele era o locutor da Antena 1 FM, e eu aprendi a gostar da locução dele, do Julinho Mazzei, do Pablo Pablo, César Filho, Álvaro Gimenez, Serginho Café, Serginho Leite, Edmir Rabello... o Serginho Leite era um baita ídolo, porque ele fazia uma locução de FM muito bem feita, e ainda aliava ao humor... misturava bem o humor, e fazia muitas imitações nos seus horários. Eu sempre gostei de imitar muito também, e achava tudo aquilo muito legal.

Então são esses os profissionais que eu comecei a ouvir assim, e que tinha vontade de ser como eles eram. Mas não tinha o “caminho”. Porque em 1984, eu fiz um curso de Sonoplastia. Foi o primeiro curso que eu fiz, e era dentro do Museu da Imagem e do Som. E quando eu terminei esse curso, e já havia recebido até o certificado de conclusão, um dos professores que era o boneco “Capivara” (criado e vivido pelo Prof. Sérgio Tastaldi), que na TV Gazeta fazia o Realce, depois o Clip Trip (primeiro com o Mister Sam, e depois com o Beto Rivera), e ai eu cheguei até ele e perguntei: “Olha, na verdade eu estou querendo ser locutor” – eu fiz esse curso achando que seria alguma coisa parecida com ser locutor – E ele (o Capivara) me disse: “Você quer ser locutor? Esquece! Você não tem voz, você não tem dicção, você não tem jeito para ser locutor! Esquece isso ai e vai ser outra coisa, cara! Já estou te dando um toque agora, um conselho...!”

Que belo conselho, né? Fiquei arrasado, fiquei triste durante uns três dias, mas ai não levei muito a serio isso. Eu pensei: “Pô, o cara não vai arrebentar um sonho que eu tenho desde moleque...vou tentar ainda, e vou continuar tentando.” E ai mais para frente, em 1986, eu trabalhava num banco, e tinha um amigo de lá que também queria ser locutor – infelizmente ele não conseguiu ser até hoje -, e nos procurávamos saber como fazer, e visitávamos muitas emissoras de Rádio. E ai numa dessas visitas nas Rádios, alguém nos disse que iria abrir a segunda turma, que era o Curso do Senac (Serviço Nacional do Comercio) de Locução - já tinha acontecido uma primeira turma, e essa era a segunda. Ai eu e esse meu amigo fomos procurar saber como chegar no lugar, e fomos até o Senac fazer a inscrição. E era uma proporção do tipo: 500 inscritos para 30 vagas. E era como se fosse um vestibular de faculdade. Então tinha que passar por um teste, e pagar por esse teste, e sendo aprovado pagaria matrícula e as mensalidades. Se não conseguisse ser aprovado, o dinheiro da inscrição ficava para eles, como toda faculdade faz. E ai eu e esse meu amigo fizemos a inscrição e no dia determinado fomos até lá realizar o teste.

Eu me lembro que quando chegamos lá tinham muitas pessoas, mas não eram todas as pessoas que iriam fazer o teste no mesmo dia. Então o pessoal do Senac dividia todos os inscritos, para realizar os testes durante uma semana inteira. E tal dia, tal hora eram tantas pessoas, e depois de tantas horas era vez de outros fazerem os testes. E no dia seguinte outras tantas, até chegar nos 500 inscritos. E no teste, precisávamos fazer uma redação sobre “Rádio”, de no máximo 20 linhas. Depois disso, entrava-se numa fila, que terminava numa sala grande, onde estavam 5 “jurados” ou professores de locução, e havia um microfone posicionado bem a frente deles, e o candidato recebia uma folha que continha umas 3 ou 4 noticias bem grandes, e nessas noticias haviam nomes estrangeiros pra dificultar a narração, do tipo “Gorbachev” (que tinha que ser pronunciado ‘Gorbatchov’) – eu me lembro que tinha esse tipo de “pegadinhas” – tinha algumas frases do tipo “trava-língua” também, e ai fizemos o teste e recebemos a informação que era preciso aguardar uma semana para saber se havíamos sido aprovados ou não...

Passada uma semana, ligamos para saber se estávamos aprovados, e o funcionário informou que não dava esse tipo de informação por telefone, que tínhamos que comparecer pessoalmente, para verificar a listagem (dos aprovados). Essa listagem estava disponível lá na porta. Então eu e esse meu amigo arrumamos um tempo vago, e novamente fomos até o Senac. E chegando lá para ver a listagem – e infelizmente esse meu amigo não conseguiu ser aprovado nessa turma, mas após duas turmas ele foi selecionado para realizar o curso – mas eu consegui passar, ser aprovado, e ainda em segundo lugar! E ai bateu a curiosidade né, porque se eu fiquei em segundo, quem será o cara que ficou em primeiro... ? Se eu tivesse ficado em quinto, sexto ou décimo, ai já não importa, porque você não vai ficar olhando todos que ficaram a sua frente... mas ficar em segundo lugar é muito perto da ponta. Ai fui olhar o nome do primeiro colocado: William Bonner! “Poxa quem será esse William Bonner... legal vou conhecer esse cara... bom legal, eu fiquei em segundo, mas poderia ter sido o primeiro...” Porque eu sempre queria ser o primeiro, mas sempre com muita humildade, e nada de passar por cima de ninguém, mas sempre quando eu faço um trabalho, eu faço pensando em ser o melhor de todos. Eu ponho isso na cabeça que é assim que tem que ser, tem que ser bem feito...

E ai, eu acabei conhecendo o William Bonner, e eu me lembro que passado um mês do inicio do curso, ele entrou na TV Bandeirantes para fazer o jornalismo da noite na Bandeirantes – um telejornal, e não demorou muito, porque a duração desse curso era de 6 meses – um pouco antes de terminar o curso, ele foi chamado para trabalhar na TV Globo. A Globo chamou ele, e como estava todo feliz, chamou o pessoal do curso para comemorar num barzinho, num boteco na frente do Senac, e eu falei para ele brincando, mas sabendo que ele possuía um enorme talento, eu disse: “Um dia você vai apresentar o Jornal Nacional!” E ai ele respondeu: “Ah...você está louco! Lá estão o Cid Moreira, o Sérgio Chapelin, e eles vão ficar lá até o final da vida deles.” E eu respondi: “Bom, isso não importa, a questão é que no dia em que eles pararem, você vai entrar. Eu ainda vou ver você apresentar o Jornal Nacional!”

Infelizmente, a gente perdeu o contato, mas não foi logo na seqüência que o William entrou no JN, demorou um tempo, mas eu vi (e vejo) ele “fazer” o Jornal Nacional, o que significa que minha tese estava certa!

E lá no curso eu conheci um professor, o Rodrigo Neves, que era na época o diretor da “Cadeia Verde-Amarela”, que nada mais era a denominação que Rádio Bandeirantes utilizava para a reunião de todas as emissoras de Rádio afiliadas ao Grupo, todas as “Bandeirantes” no Brasil entrarem em rede: “ Vamos formar agora a Cadeia verde-amarela de Rádio” e o Rodrigo Neves era o diretor de todas. E havia uma previsão de inaugurar no ultimo trimestre daquele ano (1986), a Rádio Bandeirantes FM de Araraquara – 91,9 MHz, e ele (Rodrigo) chegou na minha turma dizendo: “Olha, eu gosto dessa turma, acho que essa turma tem pessoas com muito talento, e vai abrir essa Rádio em Araraquara, e quem tiver interesse vá até a Bandeirantes (em São Paulo) em “tal” dia fazer o teste, e eu é que vou aplicar o teste, e quero levar 4 locutores daqui para começar na nova Rádio. Eu logo pensei “Minha oportunidade! Adoro a Bandeirantes, era fã da Bandeirantes, sabia o prefixo da Rádio ‘decor e salteado’, conhecia todas as vinhetas, era meu sonho entrar na Bandeirantes, falei: pô, é agora!” Fiz o teste e passei! Fui junto com um amigo, o Marcos Santana e mais outros dois colegas de turma, e fomos para Araraquara. E foi esse meu começo, na Bandeirantes de Araraquara.

03) E como você se ‘virou’ lá em Araraquara, como ficou hospedado?

Rapaz, eu dormia no chão, no chão da Rádio. A minha mala servia de travesseiro, e eu dormia no chão. Porque nós fomos para inauguração, mas não tínhamos lugar para ficar, e demoramos um tempo para nos adaptar.

Eu larguei o Banco, larguei tudo, tudo e fui. Larguei inclusive minha mãe, meu pai, porque nós sempre tivemos uma grande aproximação... eu me lembro que era uma “choradeira” todas as vezes que vinha a São Paulo, e vinha pouco, era muito difícil de vir toda hora... é longe, são uns 300 quilômetros, umas 4 horas de ônibus... de 3 horas e meia a 4 horas, e não dava para vir toda hora. E também, o radialista ganha muito mal, era o começo e Rádio no interior não pagava muito bem. Então se eu ficasse vindo toda hora – e não dá para sair toda hora, porque a folga dupla quase não existe, a folga que se tem é uma vez por semana - então não podia sair toda hora, a todo momento, porque senão acabava o dinheiro. Não tinha mais dinheiro para se virar, e não tinha de onde tirar mais dinheiro. Então foi uma época bastante complicada, e foi uma época em que eu aprendi muitas coisas, dar valor a muitas coisas na vida: a morar sozinho, a ter que se ‘virar’ sozinho – eu tinha tudo na mão, e naquele momento já não tinha mais nada na mão, e era uma época complicada.

Então, arrumamos uma pensão para ficar, a Rádio passou a pagar a pensão, mas era um lugar bem ruim... eu tenho algumas fotos desse lugar, e tenho fotos que você olha e exclama: “Me Deus! Morei aqui, cara!” Mas como experiência de vida foi legal, e acho que até me fortaleceu um pouco, no sentido de dar um pouco mais de valor as coisas. Minha esposa até fala as vezes: “Nossa, não consigo imaginar”... Eu não gosto de deixar um nada no prato... todas as vezes que sobra alguma coisa, eu tenho vontade de dar para alguém, porque eu já passei por isso... eu passei fome lá (em Araraquara)...

Sabe, teve um Natal lá em que eu passei fome! Porque Araraquara era um lugar pequeno – hoje pode ter crescido um pouco mais – mas não é uma cidade muito grande. E teve um Natal lá em que passamos na casa de um amigo,e fomos dormir. No dia seguinte queríamos comer, procuramos vários lugares, e não tinha sequer um lugar aberto! Não tinha nada aberto! Não tinha ninguém mais conhecido, não tinha onde comer! Tinha dinheiro, e não tinha onde comer! Não conhecia ninguém, uma cidade nova para nós, e eu, esse meu amigo (Marcos Santana), ‘camelamos’ muito ali em Araraquara... e foi um dia que marcou muito, esse dia de Natal. Tanto que até hoje, eu não gosto muito do Natal. Me marcou isso. Nada a ver com fato de ser o dia do nascimento de Jesus, não é isso! É a data, a festa é que me marcou muito. Tanto que eu prefiro sempre trabalhar (em escalas) no Natal, do que no dia do Ano Novo. Eu prefiro: se tiver que trabalhar, eu trabalho no dia do Natal.


04) E ai você começou a ‘pingar’, trabalhando somente em Rádios do interior? Depois que saiu de Araraquara foi para onde?

Então, ai eu tive muita sorte. Não sei porque até hoje, mas me mandaram embora! Não sei porque! Ai vim até a Bandeirantes procurar o Rodrigo Neves, e ver se ele não tinha mas alguma oportunidade de trabalhar em alguma Rádio do interior. De repente ele tinha alguma vaga, ou poderia me ajudar de alguma forma... E o Rodrigo é um cara muito “gente boa”. Só que no dia em que fui até a Bandeirantes (em São Paulo), ele não estava lá. E eu tinha um pouco de amizade com o Lui (antigo locutor da Band FM), porque eu ia bastante até a Band (antes de ir para o interior), e conhecia os locutores, assim de “conhecer”... E o Lui estava no estúdio fazendo locução no horário dele, e quando ele me viu, me chamou para dentro do estúdio e perguntou: “Pô, o que você está fazendo aqui?? Você não está na Band Araraquara?” E respondi: “ É que me mandaram embora...”
E o Lui perguntou: “Mas por que?” e falei: “Eu até hoje não sei porque, mas mandaram, e eu vim falar com o Rodrigo. Ele está ai?” O Lui respondeu: “Não, não está. Ele saiu e disse que vai demorar um pouco para voltar. Mas, porque você não fala com o Lisandro? A gente está precisando de locutor aqui/” E o Lisandro era o coordenador da Band FM de São Paulo (96,1 MHz). Ai eu disse: “Meu, você ta louco! Como é que eu vou entrar em São Paulo? Eu tenho 3 meses de Rádio, tô começando cara!” E o Lui: “Não, porque você vai entrar aqui, você vai entrar aqui, você vai entrar aqui...” E o interessante é que o Lisandro havia ido a festa de inauguração da Rádio lá em Araraquara, e ele me cumprimentou, cumprimentou aos outros locutores, mas tudo superficialmente.
 
E o Lui: “Fica ai que eu vou falar com ele já”. E eu retrucando: “Pô Lui, você está louco...” E o Lui foi e chamou o Lisandro. E quando o Lisandro me viu falou: “Poxa, você é o rapaz lá de Araraquara... o que está fazendo aqui? Está visitando?” E eu disse: “Não, é que eu vim falar com o Rodrigo Neves...” – e nem cheguei a comentar o que tinha ocorrido. O Lisandro logo falou: “Você vai fazer um teste aqui (na Band São Paulo). Eu vou lá no estúdio preparar!” E eu assustado disse: “Tá bom” E pensei: “Será que vai dar, não vai dar?” e estava assustado. Então o Lisandro me chamou para o estúdio, e me apresentou o operador: “Esse aqui é o ‘Capa’”, e depois é que fui saber que o Capa é um cara que está sempre mal humorado, sempre de cara fechada. É o cara mais mal humorado que eu já vi em Rádio, é um cara assim bem fechado. E o Lisandro falou pro Capa: “Olha, faz um teste com o rapaz aí, e daqui a pouco eu volto para ouvir”. Ai o Lisandro saiu, e o Capa disse, com voz bem pra baixo: “Você sabe o prefixo, ou eu vou precisar escrever para você?” E respondi: “Não, não. O prefixo eu sei ‘decor e salteado’” Porque quando eu treinava em casa, eu treinava justamente a Rádio Bandeirantes. E o Capa continuou: “Então dá a volta lá, toma esse papel aqui com esses 3 textos para você ler, tem essas musicas, você anuncia, desanuncia, lê essa outra noticia que esta aqui...”, e algumas outras coisas que já eram da programação da Rádio, que eles guardavam, pra poder usar de teste.

Ai o Capa disse assim (ríspido): “Vai lá e faz lá. Você lê 3 musicas, lê essa noticia aqui, depois lê mais 3 musicas, me dá teu telefone e acabou!” Eu disse “Tá bom! Posso começar?” Ai ele deu ok, e eu sai falando: falei o prefixo, anunciei às musicas, li a noticia, e tal...Acabou, dei a volta, e perguntei: “E aí? O que você achou Capa? Gostou?” E ele respondeu na lata: Uma merda! Uma bosta!”

Nossa cara, aquilo foi um banho de água fria assim, sabe? E eu fiquei totalmente sem saber o que falar. Nisso entrou o Lisandro! E o Lisandro foi perguntando: “E ai? Já acabou o teste?” E respondi (acanhado): “Acabei...” Eu tinha vontade de falar para ele: Nem ouve, né? Ai Lisandro foi dizendo: “Volta a fita a para eu ouvir”. Era um gravador Tascam, daqueles grandes, de fita de rolo, e o Capa voltou a fita. E o Lisandro sentou numa cadeira, eu fiquei em pé de um lado, e o Capa virado com o rosto para o lado contrário...e um baita clima estranho, enquanto ouvíamos minha voz, e meu teste...e rodou, rodou, e quando chegou na metade do teste, o Lisandro disse: “Pode parar!”. E o Capa “Plac” – parou o gravador. E o Lisandro para mim: “Vem aqui falar comigo” saímos dali, e fomos a um outro estúdio muito grande, ele sentou de um lado e eu do outro, e foi dizendo: “Gostei do seu teste, e quero te contratar!”

Eu não acreditava cara, eu não acreditava! eu pensei na hora: “meu sonho, meu maior sonho tá sendo realizado em 4 meses, depois que me formei. Em 4 meses de Rádio”. Eu estou em São Paulo cara – eu disse a ele – eu não estou acreditando! Eu não estou acreditando que isso esta acontecendo. Eu estava nos 96,1 – na Band FM.

E até então, o meu nome não era Domenico! Eu me identificava como Domingos Rizzo na Band Araraquara. E quem batizou meu nome (Domenico) na verdade foi o “Índio” (um dos principais locutores dos anos 1980, da Band FM), quer dizer, batizar mais ou menos. Os locutores tinham uma reunião naquele dia, e o Lisandro aproveitou para me apresentar para o ‘time’ – que aliás, todos eles eu ouvia, todos aqueles que estavam lá. Então estavam o ‘Índio’, o Edi ‘Blau-Blau’, o Lui, o Giba, e uma série de locutores que eu adorava ouvir.

Ai, na reunião falaram: “poxa, Domingos é muito feio.Vamos colocar um outro nome no cara...! Domingos não é de Rádio!” e ai eu falei pro Lisandro: “Lisandro, na verdade meu nome não era para ser esse. Meu nome era para ser Domenico. Então o Índio disse na hora: “Esse é o nome!! Domenico!! Pode por!!” Porque o Pablo (Pablo) saiu, e ele era espanhol, e agora entra um italiano no lugar. Tá saindo o espanhol, e entra o italiano. E ai ficou Domenico! Ficou Domenico, só Domenico! E o Gatto vem depois, na época da Rádio Educadora (Campinas)... quando eu sai da Band, porque entrou o (Patrulheiro) Joca, e trocou todo o time, e eu fui para a Educadora, mas essas histórias eu conto depois...

05) Então nos conte pelo menos o porque do ‘sobrenome’ Gatto:

O sobrenome Gatto veio quando eu trabalhava na Rádio Educadora de Campinas , em 1988. Eu já estava procurando um sobrenome, pois todo locutor geralmente tem dois nomes, aí , certa vez, estava eu trabalhando nessa emissora quando um amigo meu, que trabalhava comigo, foi até o AM que ficava no mesmo andar e falou para o operador que eu conseguia ser muito ágil no manuseio da mesa de som - e o cara, que infelizmente não me lembro mais o nome dele -, foi ver como eu trabalhava.

Quando chegou e me viu fazer uma seqüência rápida na mesa de som, o cara na hora falou assim: "Caracas! Você parece um gato". Foi aí que eu falei na hora para o cara: “Pô você acabou de me dar uma ‘luz’ em relação ao meu novo sobrenome. Daquele dia em diante, eu mesmo me batizei de Domenico ‘Gatto’".


06) Que tipo de musica você gosta de ouvir, nos momentos em que não está trabalhando?

Toda boa musica do passado, como por exemplo: Michael Jackson; Madonna; Kool and the Gang; Earth, Wind & Fire; Wonder Girls; Village People... esse é o tipo de musica que eu adoro. Anos 80, anos 70 e alguma coisa dos anos 90 também gosto. É o que chamamos de ‘Black Music’ e de ‘Disco’ o que eu gosto... também de James Brown , e por ai vai.

Old School... adoro Old School... Shay Light, Gap Band... esse é o tipo de música que eu adoro, adoro mesmo!


07) Que outras Emissoras de Rádio você costuma ouvir quando está de folga?
Ai vou ter que ir pro lado que eu gosto. Eu gosto muito de ouvir noticia em Rádio... gosto da CBN, gosto de ouvir a Bandeirantes AM. No FM eu gosto da Alpha (101,7 MHz) – que toca um pouco desse estilo de música que eu gosto -, da Antena 1 (94,7 MHZ), e essas são as Rádios que eu curto também.

08) Gostaria que você falasse um pouco aos nossos leitores, da passagem que você teve como Locutor Esportivo no Rádio. Em 1992, você teve uma passagem pela Rádio Gazeta (AM 890 kHz - São Paulo/SP), atuou também na Metropolitana FM (98,5 MHz - São Paulo/SP), narrando Fórmula 1. Gostaria que você contasse em âmbito geral sobre essa sua experiência.

É... na Gazeta, apareceu a oportunidade de ser o terceiro locutor lá... na Equipe da época. O Ennio Rodrigues era o locutor número 1, o segundo – me fugiu o nome agora - era o que vendia carros... ele faz locução esportiva até hoje... E eu era o ‘terceirinho’... eu fazia jogos ‘ralézinhos’. Eu narrava, e o comentarista geralmente era o Fernando Solera (Mesa Redonda-TV Gazeta).

Foi um começo legal. Foi um aprendizado bom, porque até então nunca tinha feito locução esportiva, e aprendi muita coisa ali. Mas foi uma passagem muita rápida, porque não dava para conciliar as duas coisas. Tinha momentos que aconteciam jogos, no mesmo horário em que eu estava em serviço no FM. E naquele momento, o FM me dava mais dinheiro do que a locução esportiva. Não o dinheeeeiro, mas eu não podia largar uma coisa que eu ganhava um pouco melhor, por outra em que eu ganhava menos. E não deu! Parei! Não deu! Fiquei pouco tempo... não chegou a 1 ano.

E aí na Metropolitana (FM) eu fiz duas coisas relacionadas a esportes: A temporada toda de 1992 de Fórmula 1 eu narrei... todinha. Tenho tudo arquivado em K7. E a corrida que mais me marcou desse ano, foi a vitória do Ayrton Senna em Mônaco. Porque o carro da Williams (com o Nigel Mansell) estava muito melhor... o Nigel Mansell estava num momento melhor, e era muito bom piloto, e ele ficou o tempo todo atrás do Senna, e queria passar e não conseguia... e em Mônaco é muito difícil passar. E com o Ayrton Senna, é aquele jargão que o Galvão Bueno usa, que é sensacional: “chegar é uma coisa, passar é outra, com o Ayrton”, né? E foi uma corrida que me marcou muito, essa de Mônaco. Quem comentava comigo era o Paulinho Leite – o popular “Velho Milk” (irmão do Serginho Leite), e quem fazia algumas intervenções na base da brincadeira – por se tratar de uma Emissora em FM, era o Beto Hora (atual “Na Geral” da Bandeirantes). Então nós fizemos uma equipe bacana, que atuava 100 por cento no estúdio.

Não havia nada “in loco”. Tudo “off (tube)”, vendo pela Rede Globo. Então haviam as fichas, e conforme ocorriam as ultrapassagens, eu colocava uma ficha na frente da outra, olhava os caracteres e modificava... E teve uma corrida, que não me lembro direitinho qual foi – acho que foi Imola -, caiu o sinal da Globo. E a gente não fala no ar que estava seguindo um ‘sinal’! E eu continuei narrando a corrida, uma corrida fictícia, que só estava acontecendo na minha cabeça. Um produtor começou a ouvir pelo Rádio, - acho que pela transmissão da Bandeirantes, onde os profissionais estavam lá-, e ai teve uma hora – porque a Globo não voltava, a Globo não voltava, e eu narrando “e continuam os 6 primeiros...”. Teve uma hora que ocorreu uma ultrapassagem, e esse produtor veio e passou uma ficha na frente da outra. E eu na hora mandei: “e vai passar, e vai passar e passa fulano...” Fiz uma ultrapassagem na minha cabeça, não sei se foi da forma que eu narrei, e também não tinha imagem – ninguém tinha como saber se era ou não! Só quem estava lá é que sabia... então tem umas coisas assim muito curiosas que me aconteceram, e essa é uma coisa muito legal!

Já futebol, eu narrei a Copa de 1994, e dei sorte porque já na minha primeira Copa que narrei, o Brasil foi campeão. Também pela Metropolitana (98,5 MHz). Narrei a Copa inteira, todos os 7 jogos, e paralelamente eu era locutor da programação normal da Emissora. Eu fazia ‘a parte’ o Esporte. O comentarista era o coordenador da Rádio, o Armando Martins. Ele fazia o “Espaço Rap” e adorava futebol também.


09) Domenico, gostaríamos de ouvir a sua opinião, sobre um comparativo entre os estilos do Rádio AM, e do FM; além da importância do Rádio AM, em relação ao número de ouvintes que ele atinge.

Antes, a diferença principal do Rádio AM era a locução ‘falada’, e isso já está mudando também. Eu antes não imaginava que um dia teria (no FM) um programa como o nosso – o Estádio 97 – com duração de duas horas e meia, só falando, sem por uma música. Não imaginava que teria, como por exemplo a Transamérica ou a Bandeirantes, colocando futebol no FM. Eu nunca imaginava isso. Não me passava pela cabeça. Hoje a coisa juntou um pouco, né? O AM com o FM.

Antigamente tinha uma diferença muito grande: o AM era praticamente comunicadores, e o FM só locutores. Essa coisa foi terminando com o passar dos anos, e eu acho que hoje a diferença básica é que o AM não tem muita qualidade (de som) e o FM tem. Basicamente a diferença é essa. Mas nunca vai deixar de existir o AM, e sempre vai ter público para todo mundo!


10) Poderia nos contar um pouco, a respeito de seus trabalhos como Locutor comercial, e como foi que surgiu essa oportunidade na sua carreira?

Tem um cara que eu conheço, que foi um grande locutor de FM - o Antonio Viviani, e um dos grandes locutores de gravação de “spots” para TV e Rádio, enfim como locutor comercial. E nós já tínhamos uma amizade legal, porque ele ia muito na Metropolitana – porque ele já havia trabalhado lá, e conhecia os donos da Emissora -, e ele ia assistir Fórmula 1 com a nossa equipe. Quase todas as corridas, ele ficava junto conosco, porque ele gosta de Fórmula 1. E ai ‘pintou’ numa produtora que ele gravava – que foi a primeira que eu gravei, que era a Produtora Public Sol , que já não existe mais, não conseguiu sobreviver e faliu – mas foi uma das grandes produtoras que existiram aqui em São Paulo. Fez grandes jingles no passado... E ‘pintou’ um comercial lá para fazer uma locução de Formula 1. E o Antonio Viviani falou para o rapaz da produtora, que conhecia uma cara que fazia esse tipo de locução.E me indicou. Ai o rapaz da produtora me chamou, eu fui lá fazer... e ele gostou, e passou a me chamar para fazer outros comerciais, e não só do tipo Formula 1, porque são pouquíssimos os comerciais que tratam de Formula 1. Tem mais comerciais que tratam de futebol, mas passou a me chamar para fazer comerciais que tivesse eventos esportivos.

E ai uma moça que trabalhava lá, saiu para trabalhar numa outra produtora, e já sabia que eu fazia esse tipo de locução, e me indicou. E ai começaram a aparecer outros comerciais, e passaram a me chamar... e assim vai, de boca em boca...

E hoje, Graças a Deus, existem de 15 a 20 produtoras que eu gravo, que eu faço locução para os comerciais, e quando ‘pinta’, é muito legal! Mas foi um trabalho muito difícil, porque é um mercado muito complicado. Acho que é o mercado mais difícil de se entrar, é o mercado da publicidade. Porque esse mercado é muito fechado, e as pessoas que estão lá, elas não querem que outras pessoas entrem. Porque é um mercado que dá dinheiro. É um mercado que dá dinheiro! Por exemplo: você vai numa produtora gravar um comercial de 30 segundos, você demora... Eu, Graças a Deus, tenho facilidade... eu demoro uns 5 minutos para gravar, e fazendo vários estilos, várias vozes e de formas diferentes. Você grava em 5 minutos para ganhar R$ 800,00 ou R$ 1.000,00, por exemplo. Então é um mercado que dá dinheiro, e se você tiver todo dia um, é uma grana violenta que aparece. Infelizmente, não é todo dia que tem esses comerciais.

Para esses caras de nome, sim! Eles gravam a todo instante, a todo momento! Nomes como: Ferreira Martins, Walker Blaz, Antonio Viviani, Beto Hora, Edinho Moreno, são pessoas que estão a todo momento gravando, e que vivem disso. Eles tudo bem! Mas existem outros que estão gravando um pouco menos. Esses é que não deixam os outros entrarem, senão roubam a fatia desses que gravam menos também. Então foi difícil de entrar, mas como é um estilo que eu faço que raríssimas pessoas fazem – porque não tem muitos locutores esportivos que fazem gravação de publicidade, não tem: o Jose Silvério não quer. Ele ganha muito bem na Bandeirantes, e muito bem mesmo, e não vai se sujeitar fazer esse trabalho, além de não ter tempo. Os outros locutores esportivos ganham relativamente bem, e também não fazem.

Talvez só o Eder (Luiz), e assim mesmo muito raramente, ele faz. Então acaba aparecendo geralmente para mim... tem, se não me engano, eu e mais 2 caras que fazem isso no mercado. Então aparece bastante trabalho para a gente, graças a Deus. É um filão, um mercado que eu acabei conquistando, mas é um mercado muito difícil de entrar. E talvez seja mais difícil entrar em comerciais para a TV do que para o Rádio... é difícil entrar no Rádio? É difícil, mas ainda sim é mais fácil do que entrar para o mercado da publicidade. É difícil entrar na TV? É difícil trabalhar numa TV, mas ainda é mais fácil do que entrar no mercado da publicidade. É difícil e muito complicado, muito complicado.

11) O seu comercial mais recente, e talvez que ficou mais marcado, foi aquele da Coca-Cola, em que aparece o Bebeto saindo da tampinha, e no mesmo estilo havia um anterior com o Biro-Biro x Maradona...

Tem outros também... tem o da Brahma, que foi voltado para a Copa do Mundo, que era aquele com a brincadeira com os argentinos, com carrinho e ficou muito marcado... aliás tinha um outro comercial para entrar no ar, por ocasião da Copa de 2006, e era um comercial que ia dar muito ‘buxixo’! Infelizmente não foi ao ar, mas ele deve estar no “You Tube”. Era uma “tiração de sarro” da (Cerveja) Skol com os argentinos... mas pegava pesado mesmo! Mas zuando eles... porque, se não me engano, a Argentina jogou numa sexta-feira ou quinta, e o Brasil jogaria no dia seguinte. Então, era para entrar na seqüência. Mas ai, o pessoal da Skol esperou o Brasil se classificar contra a França – naquele jogo fatídico, que o Thierry Henry fez aquele gol -, então o pessoal da agência já havia até me ligado: se o Brasil ganhar da França, entra no ar imediatamente o comercial. Porque ai o Brasil estaria na fase seguinte, e como demoraria uns dias para jogar... mas infelizmente o Brasil perdeu, e assim não entrou no ar o comercial. E esse comercial era muito engraçado, mas era muito engraçado! Está no “You Tube” – eu não me lembro com qual nome – mas está no “You Tube”, porque eu já vi.

Mas os comerciais mais importantes foram: Coca-Cola, Gatorade, o comercial da volta do Ronaldo (Fenômeno) para a Brahma - onde ele vem driblando todo mundo, driblando obstáculos e que ficou muito tempo no ar-, tem outros vários que estão listados no meu site, e tem o novo, o mais recente que é para a Tele-Sena que está vendendo agora, que está no ar.

O locutor oficial não pôde fazer porque estava viajando, ai a agência me ligou pedindo para que eu fosse fazer. É uma locução que não é esportiva, mas é uma locução diferente. E como o Lombardi infelizmente faleceu – ele que sempre foi o primeiro locutor da Tele Sena – então eles estão com falta de locutores. Aliás, o Lombardi que foi o primeiro locutor da FM (Energia) 97... ele passou por aqui, ainda na época “Rock”.


12) Domenico, você citou a instantes atrás, que tem facilidade e gosta muito de fazer imitações. Galvão Bueno é o seu preferido?

Galvão Bueno... acho que eu fui um dos primeiros a imitar o Galvão Bueno. E a imitação dele surgiu num programa que nós fazíamos na Metropolitana FM, que era o programa “Anarquia”. Era um programa, onde nós colocávamos uma mesa e duas cadeiras, em plena Avenida Paulista – onde hoje é a entrada para o Metrô Consolação (linha 2- Verde). A Rádio fica na “sobreloja”, então tínhamos uma facilidade muito grande: ligávamos o captador do microfone sem fio na janela, e pegava aquele quarteirão todo, enquanto o microfone estava ligado no estúdio. Então nós tínhamos uma facilidade muito grande, e era tudo muito perto, e coisa acontecia. Nós levávamos personalidades para serem entrevistadas: por lá passaram Osmar Santos, Claudia Raia, e diversos outros artistas, atores, atrizes, nesse programa “Anarquia”... e a Claudia Raia parou a Avenida Paulista, porque ela estava no auge... a Paulista “fechou” de gente! Tiveram que chamar o pessoal da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego)... e num determinado momento do programa, quase sempre a fase final do programa, por volta de quinze para as duas da tarde – o programa terminava as duas – eu descia com o Celso Giunt – que fazia o programa comigo, e realizava as entrevistas, e eu comandava do estúdio – então nos trocávamos, e eu ia narrar uma corrida na Avenida Paulista, e ai imitava o Galvão Bueno. E era uma corrida fictícia: eu pegava num semáforo fechado, os carros que estavam na frente eram os carros da primeira fila, os carros logo atrás eram da segunda fila... era uma coisa que eu inventei... mas foi muito legal porque deu certo, e durante um tempo foi muito legal esse quadro no ar...

Foi ai o começo da imitação do Galvão Bueno, porque eu já ouvia o Galvão, adorava aquele negócio de como ele tratava o (Ayrton) Senna, e foi tudo muito legal, e foi assim que começou.

13) Além do Galvão Bueno, que outros personagens você imita?

Ah, eu imitava muitos! Imitava e imito o Silvio Santos até hoje, faço as vezes até algumas “Convenções” vestido de Silvio Santos: vou de peruca... imitava muito o Lombardi, imitava muita gente. É que eu perdi um pouco esse tipo de coisa, de ficar imitando personalidades.

Eu tinha facilidade, mas eu parei! Eu me voltei para fazer outras coisas, e acabei deixando as imitações, e parando. Imitava locutores esportivos, imitava o Sócrates (ex-jogador), o Gil Gomes com certa facilidade, imitava muita gente. Mas hoje eu parei de imitar, e quando se para, acaba perdendo as pessoas para fazer imitação... mas eu tenho facilidade.

Fora os personagens, que não são imitações, mas sim personagens que eu faço. Por exemplo: tem dois aqui na Energia 97 que eu faço, que eu encarno - um é logo pela manhã, com o Silvio Ribeiro, que é a “Véia” (do Programa Energia na “Véia”, que toca Flash-back),e tem o “Juiz” do Estádio 97. Muita gente talvez até não saiba, mas esse “Juiz” é uma mistura - meio de Silvio Luiz, com um arbitro “normal”...


14) Faça para nossos leitores um resumo geral da sua trajetória, das Emissoras as quais você trabalhou, e cite para nós os profissionais que estão até hoje no Rádio, que já foram seus companheiros de trabalho.

As Rádios: Bandeirantes Araraquara, depois Band FM São Paulo, depois de volta ao interior: Bandeirantes São José dos Campos – e nesse meio tempo fazia também a Rádio Educadora de Campinas.

Ai eu larguei a Educadora e fiquei tempo integral na Band de São José dos Campos, tive uma rápida passagem pela Rádio 94 FM de Pindamonhangaba – foi muito rápido, não chegou a um mês-, depois eu voltei para São Paulo e entrei na Metropolitana FM como “folguista”, enquanto permanecia como titular na Band de São José dos Campos. Ai apareceu a oportunidade de eu ir para a Tribuna FM – também de São José dos Campos -. E ai eu estava na Tribuna durante a semana, e “folguista” na Metropolitana FM , aqui em São Paulo. Até que apareceu o programa “Anarquia” na Metropolitana, que era diário, e eu tive que largar a Tribuna FM em 1991 e ficar só na Metropolitana, onde fiquei até 1995.

Ainda em 95 eu saí e fui para a Transamérica, onde fiquei por 2 anos e pouco – até junho de 1997 -, e entrei na Nativa FM, bem no começo da Rádio – ela havia acabado de mudar o nome de “Opus FM”... na verdade a Rádio chamava “Pool FM”, e ai virou “Opus FM” e em seguida virou “Nativa”. E nessa mudança de Opus para Nativa, ela acabou virando uma Rádio com programação popular. E eu entrei quando ela tinha 2 ou 3 meses de vida. Nós estreamos na Emissora, que estava em 18º lugar no Ibope de São Paulo, e me lembro que quando eu saí da Rádio, ela era 2º lugar de audiência, e por vezes o meu horário batia o 1º lugar de audiência, com o Programa “Toque de Amor” – das 22 hs às 2 da manhã, e que “batia de frente” com o “Love Songs” da Rádio Cidade – que era o 1º lugar (e que hoje, é apresentado na Band FM).

Nas listagens do Ibope, nós ficávamos variando: em alguns a Nativa aparecia em 1º , e em outras no 2º lugar. Saí então da Nativa FM, para ser “voz padrão” na Rádio Jovem Pan FM – 100,9 MHz. Fui chamado na Emissora pelo próprio Tutinha (Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho – dono da Jovem Pan 2 e criador do Pânico na TV), e assim eu virei “voz padrão” da Rádio Jovem Pan, onde eu fiquei de junho de 1998 até dezembro 1999 – quando vim para a Energia 97.

E terminando, de dezembro de 99 até o dia de hoje, estou na Energia 97 (FM 97,7 MHz), onde também sou “voz padrão”... A passagem pela Jovem Pan 2 foi bem marcante, por que eu fiz muitos trabalhos legais, e aprendi muitas coisas lá! Inclusive eu aprendi uma coisa, que eu sequer sabia que tinha esse dom: que é escrever vinhetas, criar, “bolar” vinhetas! Eu não sabia que eu tinha esse dom, e eu desenvolvi lá na Pan. É muito legal escrever vinhetas de 1 minuto... e eu tenho tudo arquivado em “MD”... eu preciso pegar esse material e disponibilizar no meu site, porque é realmente muito legal! Existe muita coisa criativa nesse material, muita coisa criativa...


15) E sobre os profissionais do Rádio que foram marcantes nessa sua trajetória pela emissoras que citou.
Bom, um é o Álvaro Gimenez, - e que legal ter conseguido trabalhar com o Álvaro -, com o Serginho Caffé, com Emilio Surita – o Emilio é sensacional, porque você aprende muito com ele... de ver ele trabalhando, se aprende. E é um dos profissionais, do qual eu já era ouvinte!

Eu me lembro de quando ele entrou no ar pela primeira vez na Bandeirantes (Band FM), ele entrou a meia noite no ar, e usava o nome de Antonio Emílio. E eu contei essa história para ele, e ele retrucou: “poxa, você lembra disso?”. E eu respondi: “Lembro! Antonio Emílio!” Ele ficou pouco tempo na Band FM, e logo já foi para a Jovem Pan, e ganhou o horário lá na Pan e ficou.

Mas o Emílio foi um dos caras com quem eu aprendi! E outros profissionais muito bons, como o Rui Bala, o próprio Silvio Ribeiro, Beto Hora, o Velho “Milk” (Paulinho Leite, na Formula 1) – Paulinho Leite/ Velho “Milk” era uma coisa sensacional! Me lembro que numa ocasião, eu estava no ar na Rádio Metropolitana, e eu saia do ar às 14hs – eu ficava das 10hs às 14hs e o Velho “Milk’das 14 às 18hs – e as vezes eu ficava depois do horário para gravar ou fazer alguma coisa na Rádio... e tinha um Programa chamado “A Hora das Cinco” ou “A Sessão das Cinco” – algo assim, e no meio dessa “Hora”, tinha uma tradução. O Paulinho Leite/ Velho “Milk” traduzia qualquer musica, sem papel, sem nada. Ele ouvia a música e traduzia. Porque uma coisa é você traduzir com seu papel na mão, lendo a frase em inglês , e seguindo aquilo em português, principalmente para quem “não manja” do inglês. E ele ouvia e traduzia qualquer música, mas qualquer música! Hoje ele esta morando nos Estados Unidos.


16) E mudando um pouco o assunto, como foi que surgiu a “vaga” ou a oportunidade de você integrar a mesa do Estádio 97?

Bem, quando me convidaram para trabalhar aqui na 97, era para fazer o que eu fazia na Jovem Pan: escrever vinhetas – e ainda hoje, muitas das vinhetas que vão ao ar, ainda sou eu quem escrevo. Eu ainda faço esse tipo de coisa – o combinado era: fazer um “horário normal” - das 9hs ao meio-dia – além de produzir e gravar as vinhetas da Rádio, produzindo a parte “plástica”, fazendo todo o tipo de chamada para a Rádio e tal... e ai eu vim para a Energia 97!

Mas eu ouvia o Estádio 97, eu já era ouvinte dos “caras”, porque eu saia da Jovem Pan, por volta das 19hs, e eu vinha ouvindo o Programa e gostava! Achava legal! Ai eu comentava com outras pessoas, e por isso me tachavam de “louco”. Diziam: “esse programa é muito ruim... você está ‘louco’... eles falam um por cima do outro...” Mas eu retrucava: “mas é legal... esse programa dá audiência. Escuta o que eu estou falando”.

E quando eu já estava aqui na Rádio, eu falei com o ‘Sombra’ (Hilton Malta – produtor e coordenador do programa, e defensor das cores do São Paulo Futebol Clube. Em razão de sua baixa estatura, foi apelidado de “pouca sombra”, e depois só “Sombra”) “Sombra, ao invés de ‘porquinho’ que tem ai -o Juvenal -, eu posso participar como o palmeirense do programa?” E ele: “ É claro! Você gosta? ” Então respondi: “Gosto! Eu já fui narrador esportivo...” E o Sombra “Ah, você esta brincando! Então você já vai começar hoje mesmo! Faz o papel do palmeirense ai...” Então, eu me convidei! Comecei assim: eu me ‘convidando’, ou seja, a Rádio me convidou para fazer um determinado trabalho, e eu me convidei para fazer outro.


17) Quem eram os componentes do Programa Estádio 97 nessa época em que você começou?

Quando eu entrei: o Zé Paulo da Glória (atual Na Geral) era o corintiano, o Sombra esteve desde o início, e eu entrei juntamente com o (Alexandre) “Provolone” – caricatura do Roberto Avallone - (atualmente, o Provolone está na Transamérica, e atende por Alexandre Porpetone), e ele fazia as imitações no Programa.

O Lélio Teixeira (que fazia o santista) já havia saído... tinha acabado de sair. A primeira formação do Programa era: Lélio (Teixeira), o Zé Paulo (da Glória) e o Sombra. Era só um são paulino, um corintiano e um santista. E o palmeirense que era o tal porquinho “Juvenal”.

Ai o Lélio saiu da Rádio, e o Sombra ficou só com o Zé Paulo durante um tempo. Ai entrou o Provolone e eu entrei logo em seguida. Foi uma época muito boa, e então ficamos durante um tempo nós quatro fazendo o Estádio, e na seqüência entrou o Mauro Miranda, para fazer o santista que o Lélio havia deixado. E ai o Mauro Miranda saiu, o Zé Paulo saiu, e a partir daí teve inicio uma nova formação: O Provolone permaneceu por mais um tempo ainda, ai o primeiro a entrar foi o “Beja” (Benjamin Back – corintiano, atual colunista do Lance! e desafeto do “Craque” Neto, em sua rápida passagem pela TV Bandeirantes). O “Beja” era anunciante – o FFC “Fanáticos Futebol Clube”, e ele anunciava aqui na Rádio, e assim nós o conhecíamos. Ele vinha e ficava olhando, admirando o Programa. Então, resolvemos fazer o convite: já que o Zé Paulo saiu, e o “Beja” é corintiano, entende de futebol, tem vários contatos no Corinthians, é um cara legal, e ai ele entrou!

Na seqüência, e na condição de ouvintes do Estádio 97, entraram o “RG” (brincadeira no sentido de todo o torcedor santista ser “velho”, da época do Pelé, especialmente este santista Carlos Humberto de Jesus, possuir a cédula de identidade nº 2, porque a primeira teria pertencido a Jesus Cristo. O apelido real é RG nº 2), o santista. O Sombra chegou para ele e disse: “Faça uma participação no Programa para ver seu desempenho!” E ficou! No caso do “Mano”(Maurício Borges), o outro corintiano, o irmão dele ligava muito para a gente, participava muito do Programa por telefone, e ele era muito engraçado, porque ele falava muita gíria. E então, nós ficamos sabendo que eles eram irmãos gêmeos, e que um era são paulino integrante da Torcida Independente, e o outro era corintiano, integrante da Gaviões (da Fiel), o que era uma coisa muito curiosa. Ai o Sombra chamou, e vieram os dois, e eles trabalham na Rádio até hoje: o Mano é o corintiano, que integra o Estádio, e o irmão dele trabalha como (Office) Boy da Rádio.

Já o “Portuga” (Gilberto Alves Rodrigues Jr - que defende as cores da Portuguesa de Desportos), ligou aqui num determinado dia, e começou a fazer imitação para uma menina (recepcionista), fazendo voz de português, e a menina começou a dar risada... e o “Portuga” queria falar com o Sombra... e ai a recepcionista disse: “tem um cara muito engraçado aqui no telefone que imita um português e eu tô rindo muito!” E o Sombra falou: “Ah você esta rindo? Ele é bem legal? Então manda ele vir aqui na Rádio hoje para eu conhecer”. Na hora, a menina disse no telefone: “O Sombra tá mandando você vir aqui hoje”. E chegando na Rádio, o Sombra disse: “faça ai o português para eu ver como é!” O Sombra gostou, mandou ele participar do Programa, e ai ele acabou ficando... e ficou!

Ai o (Alexandre) Provolone saiu, e permaneceu a Equipe que está no Estádio hoje. E o “Portuga”, como já tinha essa veia voltada para a imitação,acabou assumindo a parte do Provolone: fazendo quadros de humor, etc. E essa formação (contando com o Provolone), está ai desde 2001. Entrou o Mota depois... porque saiu o “Funil”, que é o mesmo que faz o “Fuzil” (na Transamérica). Então entrou o Mota, o seu “Bento” (pseudônimo do DJ Adriano Pagani) – que traz as manchetes – eu também não era dos originais, e estamos agora com essa equipe ai.

18) Na sua opinião, quais são os motivos que fazem o Programa Estádio 97 ser tão popular no Radio FM de São Paulo, levando em consideração que o publico que ouve o Estádio 97 não é o mesmo que acompanha e curte a programação normal da Rádio Energia 97. E então, qual é a receita?

Alias é um público que atinge qualquer faixa etária, porque temos ouvintes entre os 5 aos 80 anos de idade. É impressionante! O Programa atinge ‘todo mundo’. Atinge quem gosta de pagode, quem gosta de rock, quem gosta de funk, quem gosta de musica eletrônica... o Programa atinge ‘todo mundo’.

Eu costumo dizer que é “uma Rádio dentro de uma Rádio”. O sucesso eu acho que é porque cada um defende uma agremiação, e tem a “tiração de sarro”, que é aquela conversa de quem gosta de futebol, brinca com amigo num bar, num buteco... eu acho que o Programa é como se fosse essa situação, e eu acho que é essa a razão do sucesso. Porque todos os programas esportivos até então – não existia nenhum programa parecido com o Estádio 97 – e depois vieram alguns por ai, que são uma ‘imitação’ do Estádio. Mas até então não tinha, e todo o programa esportivo era muito sério... o jornalista sério, falando sério...e o convidado sério, brigava sério, e aquela coisa toda muito séria... e a Mesa Redonda que tinha antigamente, todo mundo sério: “Não, porque foi pênalti...não foi pênalti”... aquela coisa... e eu acho que nós quebramos esse tipo de coisa, nós viêmos com uma linguagem diferente como torcedor, - porque no Programa ninguém é jornalista, todos somos torcedores – e isso é legal!

E ai junta com o ouvinte participando (por telefone), que fala a mesma linguagem, e fala a mesma coisa que nós falamos no ar, e um componente ‘tira sarro’ do outro, e assim vai... essa é a formula do sucesso, para esse Programa! Não existe uma ‘Formula de Sucesso’ (geral)... se alguém soubesse, estava feito! Mas eu acho que é a fórmula do sucesso do Programa Estádio 97, é essa que eu acabei de relatar. E é difícil copiar, porque pode ser copiada a fórmula, mas as pessoas que fazem o Programa, essas não se copiam. É essa a diferença.


19) Quando os microfones de vocês estão ligados (no Programa Estádio 97), vocês passam uma imagem para o ouvinte, de que existe uma real rivalidade entre os integrantes. Depois que os microfones são desligados, alguma vez já ocorreu de vocês continuarem alguma discussão mais incisiva para fora do estúdio?

Pouquíssimas vezes!! Mas já aconteceu! Mas foram raras às vezes... mas no geral são assuntos que ainda permanecemos discutindo, e no dia seguinte, o coordenador do Programa chama toda equipe, e mostra que é uma baita bobagem.

Ai um dá a mão para o outro, e diz: “É...” Eu já disse uma vez isso aqui, e vou repetir: No dia em que eu (Domenico) brigar, ou sair na mão com alguém por causa de futebol, eu paro tudo que eu estou fazendo! Ai eu serei um imbecil! Ai eu tenho que usar uma placa de imbecil! Porque o futebol, nada mais é, do que uma coisa para você brincar... e tem que se levar isso na esportiva, não se pode brigar por causa disso, certo?

O dia em que se brigar por causa disso, está indo totalmente contra o que se prega no ar, todos os dias... que é justamente para as pessoas não brigarem: “Pô, você está indo no estádio para brigar?? Você está louco???”... é o que eu digo sempre, e assim eu estou indo de encontro com uma coisa que eu falo todos os dias... Então eu seria um imbecil!

E por certas vezes aconteceu – mesmo sendo raríssimas vezes – de dizer: “Pô cara, eu fui um imbecil”. E o outro dizer: “É, eu também fui...” É porque às vezes, ali no Programa, que você esta num mau momento... e todos os dias você está lá, convive com todas aquelas pessoas, é como as vezes se discutir com seu pai ou com sua mãe... você briga, mas logo depois se diz: “Que droga... não existe isso que eu estou fazendo!” e não é por ai... e isso acontece conosco, como se fosse uma família. E tem dias que você não está legal, tem dias em que você não está legal, e o outro também não está legal... bateu de frente, bateu: brigou!

Então às vezes acontece essa situação ai, mas é muito raro isso acontecer, muito raro.



20) Domenico, você já precisou fazer um trabalho de conscientização com os seus ouvintes do Programa “Palhacinho”, e dos demais horários que você comanda, para diferenciar o Domenico – apresentador do horário -, com o Domenico palmeirense – que participa diariamente do Estádio 97?

Você sabe que eu tinha muito medo que isso acontecesse... eu falei para o Sombra uma vez: “Eu estou com um pouco de receio” – porque no começo da minha participação no Estádio 97, eu batia muito de frente com o Corinthians, porque é o meu rival. Do Palmeiras para mim, o rival é o Corinthians... não é o São Paulo! O São Paulo é um adversário. O Corinthians é o rival – no meu modo de entender!

Para os mais antigos, é o contrario! Porque os mais antigos carregam uma série de histórias sobre futebol: que tentaram roubar o Estádio do Palmeiras, e teria sido o São Paulo – isso é história! Então os antigos consideram o São Paulo como “inimigo”, e o Corinthians é o rival. E eu não entendo isso, porque parte da minha família – as minhas irmãs são todas são paulinas -, e a outra parte da família é toda palmeirense. Então o São Paulo não é o “ruim”! O ‘ruim’ é o Corinthians. Então no início, eu batia muito de frente, no começo do Estádio, hoje eu já pego mais leve... e eu brinco!

Brincar é uma coisa diferente de realmente levar a discussão a sério. E eu tinha receio de que isso passasse para a manhã (do dia seguinte), porque é o Domenico que está no ar. “Ah! Eu não vou ouvir esse desgraçado porque ele fala mal do Corinthians!” E eu tinha medo que os corintianos não me ouvissem por isso. E Graças a Deus, não aconteceu isso! Mas eu tinha receio sim... E todas as vezes que tocam no assunto, eu até brinco: “Não, futebol é só as 6 das tarde gente! Agora é o Programa “o Palhacinho” e vamos falar de outra coisa...” Senão vira um programa de futebol no ar, e não é esse o intuito...


21) E você não tem mais esse tipo de problema?
Não tenho! Não, não tenho! Às vezes acontece de um cara ou outro ligar para falar de um assunto importante do tipo: sei lá...o Palmeiras perdeu a final da Copa Libertadores de América, vamos supor. Ai o ouvinte vai brincar comigo/ Ai eu digo: “Ô Meu... isso só as 6 horas!” E ele desliga. Mas pode acontecer... é que também ultimamente o Palmeiras não esta chegando em nada, e tá difícil, né?? (risos) Tá complicado de acontecer uma situação assim (risos).


22) Domenico, existe uma curiosidade que muitos ouvintes do Estádio 97 comentam. Vocês nunca pensaram na possibilidade da Equipe do Estádio 97 transmitir partidas de futebol?

Já se pensou, mas nunca se concretizou. E já se passou pela nossa cabeça de se fazer o Programa na televisão... mas o Sombra tem um pensamento com relação a isso, de que ele tem a impressão que vai “matar o Programa”! O Sombra acha isso. Eu não acho! Eu acho que se fosse para a televisão, além de alavancar muito mais o Programa (na Rádio), ia dar uma audiência “desgraçada” na televisão!

Não tivemos nenhum contato formal com a televisão, mas o Sombra matou essa idéia...


23) Alguns ouvintes já manifestaram a hipótese de o Domenico comentar os jogos do Palmeiras, o Beja comentar os jogos do Corinthians, o Sombra comentar o jogos do São Paulo... Os comentários dos ouvintes vão nesse sentido?

A minha idéia já é completamente louca com relação à transmissão de futebol – e eu já até passei para o Sombra, mas a questão é que precisaria de vários locutores esportivos – por exemplo: amanhã vai acontecer Palmeiras x São Paulo – uma suposição – então eu (Domenico) sou narrador. Então eu narro as ações do palmeiras, e um outro narrador narra quando a bola estiver com o São Paulo. Dois narradores... então o Palmeiras está com a bola, eu estou narrado. Perdeu a bola, eu largo para ele. É uma coisa diferente, não sei se daria certo – acho que sim -, e eu nunca ouvi falar se em algum País realiza transmissões assim, mas acho que seria legal!

E um narrador neutro, para jogos do tipo Corinthians x Grêmio (Porto Alegre): então o narrador titular faz o Corinthians, e o narrador “neutro” narra às ações do Grêmio. Sempre assim: um, dois! Não sei se isso é um caminho, é uma idéia que eu tenho, e não sei se será levada adiante... mas também seria necessário ter bons profissionais para executar, e cada um narrando um time diferente. É uma idéia, mas não sei se vai acontecer.


24) Você já atuou em alguma oportunidade apresentando algum programa de televisão?

Apresentando? Não, não. Só fiz participações. Não, porque meu intuito sempre foi trabalhar em Rádio. E eu nunca pensei em fazer Tv, e nunca tive contatos. Hoje se pintasse uma proposta, talvez eu até repensasse... Porque o meu sonho, o sonho que eu tenho hoje – eu talvez não deixe de ser apenas um sonho – era ser locutor esportivo de televisão.

É uma coisa que eu gosto, sempre gostei, há muitos anos eu penso nisso, mas não sei se essa vontade vai para frente não. Acho que é muito difícil, até porque eu estou ficando com uma idade um pouco mais “avançada” – porque eu estou com 44 anos – pode até não parecer, mas eu já tenho 44 anos. E talvez já esteja ficando velho para essa atividade, não sei... não sei se vai acontecer.

Mesmo porque, eu sou palmeirense, e isso já está marcado na cabeça das pessoas. Ai se eu for narrar um jogo do Corinthians e "sei lá quem", e por mais que eu seja profissional ao extremo – e eu sou! eu sou! - Porque aqui mesmo eu já narrei a final do Titulo Mundial de Clubes do Corinthians – que aconteceu em 2000... eu narrei aqui na Rádio Energia 97. Corinthians x Vasco, eu narrei gritando: “Corinthians campeão!”, e fazendo como um locutor esportivo. Porque quando eu faço a função de locutor esportivo, eu esqueço toda a rivalidade de futebol, porque é um trabalho que está sendo feito.

Mas por mais que seja feito isso, o torcedor não vai entender! Não adianta, não vai entender! Ele vai achar que eu estou narrando o gol do adversário, mais do que do Corinthians. Eu vejo muitas vezes o Cléber Machado, ou o próprio Galvão (Bueno) mesmo – e eu, como conheço um pouco de locução esportiva -, eu vejo que eles narram todos os gols por igual! A não ser em jogos do Brasil, e ai é lógico que o Galvão vai dar uma ênfase maior para os gols do Brasil, e não vai dar para a Holanda... isso é obvio! Mas o Galvão narrando o jogo final entre Internacional x São Paulo – esse que o Galvão narrou – ele narrou os gols dos dois lados por igual! Ai o são paulino vem e fala: “Não, ele narrou o gol do Inter muito mais...” E o torcedor do Inter fala: “Não! É claro que ele narrou o do São Paulo muito mais!”

E ele que é um cara que não divulga o time que torce – e eu sei que o Galvão Bueno é flamenguista – mas ele não fala para todo mundo, e não é aberto como eu falo aqui. E é difícil para ele, imagina para mim! Acho que por esse motivo é que ficaria difícil também eu seguir a frente com o sonho de ser locutor esportivo na televisão.


25) Bem, então em relação ao Rádio, o que você gostaria de fazer no Rádio, que ainda não conseguiu fazer até hoje?

Bem, talvez essa narração diferenciada... não tem nada muito mais assim, diferente. É que eu fiz tantas coisas no Rádio, mas já matou um pouco essa coisa... Eu já fiz um programa, na Rádio Metropolitana – aliás dois programas que foram “sensacionais”: O ‘Anarquia’ que era feito na rua, e o outro era o ‘Clube das Mulheres’. Só participavam mulheres, e num determinado momento do programa, eu tirava a roupa!

A moça que estava participando pelo telefone, tirava a minha roupa no estúdio. E parecia, dava a impressão, que ela estava do meu lado tirando minha roupa. Era uma coisa muito ‘louca’... era uma coisa que eu criei, que eu bolei e deu muita audiência, renderam muitos destaques nos jornais – eu tenho muita coisa guardada -, e chegaram a me comparar – olha só o absurdo! - me compararam ao Eli Corrêa e ao Paulo Barboza, em termos de audiência e popularidade.


26) Mas a audiência chegou a esse nível mesmo?

Chegou a um nível de audiência muito grande, mas eu não me comparo a eles! Eu acho que estou num nível muito abaixo desses “caras”! Eu acho que o Eli e o Paulo são sensacionais... Mas a audiência foi boa. O programa sempre batia no segundo, muitas vezes o primeiro lugar no horário. Era muita audiência, e o Programa “Clube das Mulheres” era muito falado, comentado.

Eu fiz na Transamérica o “Sarcófago”, que falava com a Múmia. Era mais ou menos o mesmo esquema em que o Silvio Ribeiro fala com a “Veia”, só que eu falava com a “Múmia”, e esse também era um programa só Flash-back.

Eu fiz coisas no Rádio muito criativas, e graças a Deus, foram coisas muito bacanas. Até hoje, eu me pego lembrando de coisas, e digo “Eu fiz isso, cara!” é engraçado, é bem engraçado.


27) O que te emociona mais, ver um comercial de TV com sua voz finalizado ou ouvir suas vinhetas prontas no Rádio?

O que mais me emociona... acredito que as duas coisas... mas se tivesse que escolher, escolheria as vinhetas da Rádio, pois sou eu quem às escreve e é como se fosse um filho... sabe como é, né!!


28) Para terminar, gostaria de pedir que deixasse uma mensagem aos leitores do site Bastidores do Rádio.

Que todos os leitores continuem passando sempre pelo Rádio, e como o site é Bastidores do Rádio, e falando como radialista, que continuem sempre ouvindo Rádio, e que gostem mais ainda do Rádio.

E lembrem-se que o Rádio tem ainda muita coisa para crescer, principalmente porque vem ai o Rádio Digital... então eu acho que existe um espaço que está guardado para coisas novas, e muito legais. E é isso ai. Eu espero que tenham gostado... legal. Obrigado.